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4 de nov de 2014

Intervenção 1° Festival Absurdo

CASEIRO

Trago comigo a hospitalidade, de tempos em tempos recebo os donos dessa casa. Essa morada que não me pertence, fui chamado ao trabalho, com zelo enorme cuido como se fosse proprietário, mas prefiro não ser. Esse casulo onde me fortifico e me transformo, onde temo a liberdade oferecida e onde a liberdade reescreve tudo aquilo que foi vivido por seus moradores antigos.
Moradores deixaram e levaram, hoje os vestígios contam historias que serão apagadas e novas historias serão guardadas pelos objetos ou pela memoria, até que as ruínas brotem das paredes, até aproxima demão de tinta de cor variada ou até que os donos “voltem para as férias”, e tudo poderá e deverá ser renovado por morador que chegue ou antigo morador saia. Não questiono o que vivi dentro das paredes de casa e não tenho receio que como mero caseiro a casa venha me apagar da sua historia. Na impermanência mora aquilo que ainda não sabemos e o “inusitado é o que sempre nos fará sorrir”.
Sei de uma coisa. Tudo que temos a casa nos trouxe e tudo que não temos a casa não quer. Ser caseiro nessa casa é muito bom, mas bom mesmo é observar nas fotografias as historias e perceber que nunca poderão ser apagadas da minha memoria, mas o pouco que lhes mostro é apenas um pedaço, por que a casa é muito grande não dá para ser transportada e jamais caberia em um simples enquadramento fotográfico.
Sejam bem vindos, esses recortes atemporais configura um pouco, mas bem pouco mesmo do que vivemos na casABsurda, esses registros de moradores, visitantes, convidados e/ou objetos, é uma simples homenagem a casa que tem vida própria e se apropria daquilo que a faz permanecer viva.

Texto e Fotografias
Por Edson Rodriguez






















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